9 de abril de 2014

Resenha: Aguardo sua resposta , de Dan Chaon


Esse livro é uma cortesia da Bertrand Brasil

Ninguém pode dizer que Dan Chaon não cria impacto. Logo na primeira página de seu livro Aguardo sua resposta, publicado pela Editora Bertrand Brasil, já ficamos chocados em perceber que um dos personagens é brutalmente mutilado. Isso, na verdade, é só o começo para um vai e vem de personagens nebulosos e inseguros.

Ryan era um jovem que poderia ter sido o que quisesse na vida. Educado por pais amorosos, ele vê sua vida virar de ponta cabeça quando seu tio reaparece e lhe conta toda a verdade sobre sua concepção. Chocado, Ryan decide mudar sua vida drasticamente, mentindo e enganando todas as pessoas que ele conhecia. Seu drama interior estava só começando.

Hayden, irmão gêmeo de Miles, desapareceu há vários anos. Desde então, Miles tenta encontrá-lo, pois sabe que só assim terá paz. Apesar de manterem contato em alguns momentos, Miles nunca foi capaz de descobrir o paradeiro do irmão. E isso consumiu boa parte de sua juventude.

Lucy fugiu com seu professor do ensino médio. Abandonou sua irmã Patricia na pequena cidade em que viviam, em Ohio, e vislumbrou uma nova vida com esse homem tão sofisticado e envolvente. George Orson, na verdade, não é nada que aparenta.

Os três personagens têm como característica principal a fuga. Todos eles deixaram para trás uma vida que julgavam ser superficial e sem sentido. A instabilidade emocional de cada um deles é explorada de forma suave pelo autor, através das suposições de como estariam seus familiares após a partida de cada um deles.

Dos três, Hayden, com certeza, é o mais instável e maquiavélico de todos.

Com o desenrolar dos capítulos, alternados entre os três personagens e suas histórias, o leitor fará muitas suposições. É possível entender boa parte dos acontecimentos, mas o desfecho e a interligação dos personagens, só teremos nos capítulos finais.


Bizarro em alguns momentos e com suspense na maior parte do tempo, Aguardo sua resposta é mesmo um livro sobre identidade. Sobre como ter recomeços nem sempre é a melhor opção, quando nada é planejado e medido. O autor não se importou em ocultar o verdadeiro caráter de seus personagens, deixando para o leitor o julgamento sobre os atos de cada um deles.




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